Plantio do trigo entra na reta final no Rio Grande do Sul, mas mercado ainda preocupa produtores
O plantio do trigo está na reta final no Rio Grande do Sul. A expectativa é de que os trabalhos sejam concluídos nos próximos dias, restando apenas algumas áreas de semeadura mais tardia, concentradas principalmente nas regiões de maior altitude, como Vacaria, Lagoa Vermelha e Ibiraiaras. Nas demais regiões do Estado, incluindo o Norte e o Nordeste gaúcho, a implantação da cultura está praticamente encerrada.
As informações foram apresentadas pelos engenheiros agrônomos Cláudio Doro e Luciano Remor durante o programa Cotações e Mercado, da Rádio Uirapuru, exibido neste domingo (12).
Segundo Luciano Remor, o momento agora exige atenção dos produtores ao manejo das lavouras. A recomendação é intensificar o monitoramento da emergência de plantas daninhas, que podem comprometer o desenvolvimento da cultura, além de planejar corretamente a adubação nitrogenada.
O agrônomo destacou que as áreas semeadas no início de junho já acumularam entre 200 e 300 milímetros de chuva após o plantio. Diante da previsão de novas precipitações, a orientação é antecipar a aplicação de nitrogênio, evitando atrasos que possam reduzir a eficiência da adubação e o potencial produtivo das lavouras.
Enquanto o Rio Grande do Sul se aproxima do fim da semeadura, o cenário é diferente em Santa Catarina. Conforme relataram Cláudio Doro e Luciano Remor, o excesso de umidade ainda impede o avanço do plantio em grande parte do estado. Em algumas propriedades, inclusive, foi necessário utilizar um trator para auxiliar o deslocamento do pulverizador durante a dessecação da cobertura vegetal, reflexo das dificuldades causadas pelo solo encharcado.
Além dos desafios no campo, o mercado segue sendo motivo de preocupação para os produtores. Apesar da redução da área cultivada com trigo nesta safra e da expectativa de menor oferta, os preços permanecem abaixo do esperado. Na região de Passo Fundo, as cotações continuam sem apresentar uma reação significativa.
Durante o programa, Cláudio Doro explicou que fatores internacionais apontam para um cenário favorável de valorização do cereal. No entanto, esse movimento ainda não se refletiu no preço recebido pelo produtor gaúcho. A expectativa do setor é de que a menor oferta contribua para uma recuperação das cotações ao longo da comercialização da safra, embora, até o momento, essa valorização ainda não tenha chegado ao mercado regional.
