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Clima

Prevenção aos eventos climáticos extremos começa com ações individuais

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Miotto

Os impactos das mudanças climáticas e a necessidade de preparar cidades e propriedades rurais para enfrentar eventos extremos foram os principais temas do programa Uirapuru Ecologia, transmitido no último sábado (18) pela Rádio Uirapuru. Apresentado por Gabriel Nunes, o programa recebeu o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Passo Fundo (CBHPF), o engenheiro agrônomo Victor Hugo Carrão, e o engenheiro ambiental João Felipe Freitag, mestre e doutorando na área e integrante do comitê. Durante a entrevista, os convidados abordaram medidas de prevenção, planejamento urbano e conservação ambiental como formas de reduzir os impactos causados pelas mudanças no clima.

Victor Hugo Carrão destacou que, diante dos alertas emitidos pela Defesa Civil para temporais, ventos fortes e chuvas intensas, a principal recomendação é que a população mantenha a calma e adote medidas preventivas. Segundo ele, os avisos meteorológicos são ferramentas fundamentais para reduzir riscos, permitindo que as pessoas evitem deslocamentos desnecessários e situações de exposição quando houver previsão de fenômenos severos. O presidente do Comitê também afirmou que o enfrentamento das mudanças climáticas passa pela conscientização sobre o aquecimento global e pela participação de toda a sociedade. Ao explicar a origem dos eventos extremos, Carrão ressaltou que o aumento da temperatura dos oceanos, especialmente do Pacífico, influencia diretamente o ciclo hidrológico e favorece a ocorrência de períodos de chuva mais intensa no Rio Grande do Sul.

João Felipe Freitag explicou que Passo Fundo ocupa uma posição estratégica por estar localizada em uma região de nascentes, onde se formam importantes bacias hidrográficas do Estado. Conforme o pesquisador, embora o município não seja cortado por grandes rios, é indispensável acompanhar os alertas da Defesa Civil, principalmente diante da maior frequência de eventos climáticos extremos observada nos últimos anos. Ele ressaltou que o planejamento urbano é uma das principais ferramentas para aumentar a resiliência das cidades, destacando que a impermeabilização excessiva do solo dificulta a infiltração da água da chuva e amplia o risco de alagamentos. Por isso, defendeu que novos empreendimentos contemplem áreas permeáveis e soluções sustentáveis para o escoamento das águas.

Na área rural, Victor Hugo Carrão chamou a atenção para a adoção de práticas de conservação do solo. Entre as medidas apontadas estão o uso permanente de plantas de cobertura e a diversificação das culturas agrícolas, ações que reduzem a compactação do terreno, aumentam a infiltração da água e ajudam tanto a minimizar os impactos das chuvas intensas quanto os prejuízos provocados pelos períodos de estiagem.