Professor da UPF é eleito presidente de comissão internacional e destaca protagonismo da Universidade na Ciência do Solo
A eleição do professor Edson Campanhola Bortoluzzi, da Universidade de Passo Fundo (UPF), para a presidência da Comissão de Mineralogia do Solo da União Internacional da Ciência do Solo (IUSS) amplia a participação brasileira em uma das principais organizações mundiais dedicadas à pesquisa sobre solos. O mandato será exercido entre 2027 e 2030.
Em entrevista à Rádio Uirapuru, o coordenador do curso de Agronomia e docente do Programa de Pós-Graduação em Agronomia da UPF afirmou que a conquista é resultado do protagonismo da Universidade na formação de pesquisadores e no desenvolvimento de pesquisas científicas. Segundo ele, a estrutura de laboratórios, construída por meio de projetos de pesquisa, aliada aos cursos de graduação e pós-graduação, permite a formação de profissionais e a produção científica que levaram ao reconhecimento internacional. Bortoluzzi ressaltou que a indicação pela Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS) já representava um reconhecimento desse trabalho e que a eleição, durante o congresso realizado na China, fortalece a posição da ciência brasileira e da UPF no cenário internacional.
O professor explicou que já atuava como vice-presidente da comissão no mandato anterior e pretende dar continuidade às ações voltadas à divulgação científica da mineralogia do solo. Entre as metas estão o fortalecimento da cooperação entre laboratórios, a ampliação do acesso de estudantes e pesquisadores às estruturas de universidades que possuem equipamentos especializados e o incentivo à formação de novos pesquisadores em uma área que exige tecnologia de alto custo para o desenvolvimento dos estudos.
Conforme Bortoluzzi, a comissão também atua na organização de congressos e eventos científicos internacionais. Ele lembrou que participou da organização do Congresso Latino-Americano de Ciência do Solo, de edições do Congresso Brasileiro de Ciência do Solo e do Congresso Mundial de Ciência do Solo, realizado em 2024, na cidade de Florença, na Itália. O objetivo, segundo ele, é aproximar pesquisadores de diferentes países e ampliar a troca de conhecimento sobre a mineralogia do solo e suas aplicações.
Durante a entrevista, o pesquisador destacou que a mineralogia do solo tem impacto direto na agricultura e na produção de alimentos. Ele explicou que a área estuda os minerais presentes no solo, suas propriedades físicas e químicas e sua influência na disponibilidade de nutrientes para as plantas. Desde 2010, o grupo de pesquisa da UPF desenvolve estudos sobre o uso de pó de rocha como alternativa para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados. A proposta é utilizar rochas regionais moídas para fornecer nutrientes às plantas, diminuindo parte da necessidade de insumos vindos do exterior.
Ao abordar os desafios da área, Bortoluzzi afirmou que a erosão continua sendo um dos principais problemas enfrentados pelos solos agrícolas. Segundo ele, é necessário fortalecer e aperfeiçoar as práticas do sistema de plantio direto para reduzir a perda de sedimentos provocada pelas chuvas. Além disso, defendeu o investimento contínuo em pesquisa e inovação para desenvolver tecnologias que tornem a agricultura brasileira menos dependente dos fertilizantes importados e contribuam para a conservação dos solos e da produção de alimentos.
