Área de trigo deve cair até 35% na região de Passo Fundo, enquanto canola cresce mais de 300%
A próxima safra de inverno deve marcar uma forte mudança no perfil das lavouras da região de e do Rio Grande do Sul. Enquanto o trigo deve registrar uma redução significativa de área plantada, a canola surge como a principal aposta dos produtores para a temporada, com expectativa de crescimento histórico no Estado.
Em entrevista à Rádio Uirapuru, o gerente regional da de Passo Fundo, Oriberto Adami, explicou que os levantamentos preliminares realizados nos 42 municípios da regional já apontam queda entre 30% e 35% na área destinada ao trigo em comparação com a safra passada. Segundo ele, o principal fator é a baixa rentabilidade da cultura, pressionada pelos altos custos de produção e pela queda no preço pago ao produtor.
Mesmo sendo considerada estratégica para a economia do inverno gaúcho, a cultura do trigo perdeu atratividade nos últimos meses. Conforme Adami, o custo para produzir uma lavoura tecnificada praticamente se iguala à produtividade média obtida pelos agricultores, tornando o investimento cada vez mais arriscado. Além disso, a previsão de um inverno mais chuvoso aumenta a preocupação com doenças nas lavouras e possíveis perdas de produtividade.
Outro fator apontado pelo gerente regional é a tendência de redução no nível de tecnologia utilizado nas áreas que ainda serão cultivadas com trigo. A expectativa é de menor investimento em fertilizantes, sementes e manejo, numa tentativa de reduzir custos diante da baixa margem financeira da atividade. Em sentido oposto, a canola vive um momento de forte expansão no campo. Impulsionada pelos bons resultados da última safra, pelos preços mais atrativos e pela crescente demanda da indústria de óleo vegetal e biocombustíveis, a cultura deve registrar avanço expressivo em toda a região Norte do Estado.
Na área atendida pela regional da Emater de Passo Fundo, a projeção é de que a canola salte de cerca de 6 mil hectares para aproximadamente 30 mil hectares cultivados, representando crescimento superior a 300%. No Rio Grande do Sul, a expectativa também é de expansão acelerada, podendo dobrar a área plantada em relação ao último ciclo.
Além do mercado alimentício, a canola também ganha espaço pela possibilidade de utilização na produção de biocombustíveis, consolidando-se como uma alternativa econômica importante para os produtores gaúchos diante das dificuldades enfrentadas pelo trigo.
