Sem definição do governo federal, ferrovia de Passo Fundo segue sem operação após enchentes
As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 provocaram impactos históricos no sistema logístico do Estado . Além das mortes e dos danos em cidades inteiras, a tragédia também comprometeu rodovias, pontes e a malha ferroviária gaúcha.
Na época, o Rio Grande do Sul registrou ao menos 124 pontos de bloqueios em rodovias. Além disso, o Estado confirmou 185 mortes em decorrência das enchentes. Ao mesmo tempo, o grande volume de chuva fez rios transbordarem e destruiu ruas, pontes e estruturas de transporte em diversas regiões.
Uma das áreas mais atingidas pelos deslizamentos foi a Serra Gaúcha. Como consequência, a chamada Ferrovia do Trigo sofreu danos severos e segue inoperante até hoje.
Com cerca de 160 quilômetros de extensão, a ferrovia ligava a Região Metropolitana a Roca Sales e posteriormente a Passo Fundo, atravessando a Serra Gaúcha por meio de diversos túneis e estruturas ferroviárias.
Atualmente, grande parte do trecho precisa passar praticamente por uma reconstrução completa. Por isso, a retomada das operações ainda depende de definições técnicas e estruturais.
A ferrovia pertence ao governo federal, porém a concessão das operações é da Rumo Logística. Desde as enchentes de 2024, os trens da empresa deixaram de circular no trecho. Dessa maneira, a região perdeu uma importante alternativa de transporte de cargas.
Em Passo Fundo, a paralisação da ferrovia trouxe reflexos diretos na logística regional. Antes das enchentes, combustíveis e outros materiais chegavam ao município por trem e depois seguiam por caminhão para distribuição regional. Assim, o sistema ajudava a reduzir custos logísticos e melhorava o transporte de cargas.
O que diz a Rumo
Passados três anos da tragédia, a Rádio Uirapuru procurou a Rumo Logística para saber quais medidas estão sendo tomadas para a retomada das operações.
Em resposta, a empresa informou que mantém diálogo com o Ministério dos Transportes, responsável pela concessão da Malha Sul, para avaliar alternativas sobre o futuro da ferrovia após os danos provocados pelas enchentes.
Além disso, a companhia destacou que as definições sobre eventuais encaminhamentos dependem do governo federal. Portanto, ainda não existe uma definição oficial sobre investimentos ou cronograma de recuperação.
Dessa forma, até o momento, não existe previsão concreta para a retomada das operações ferroviárias entre a Serra Gaúcha e Passo Fundo. Enquanto isso, a situação da ferrovia de Passo Fundo segue sem avanços oficiais por parte do governo federal.
