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Geral

Sem Segredo: especialistas alertam para a sobrecarga emocional enfrentada pelas mães  

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

O Dia das Mães costuma ser lembrado pelas homenagens, pelos presentes e pelas mensagens de carinho. Mas, além das comemorações, a data também provoca reflexões sobre os desafios enfrentados diariamente por mulheres que conciliam maternidade, trabalho, saúde emocional e responsabilidades familiares. Em muitos casos, a mãe acaba assumindo sozinha os cuidados com os filhos, enfrentando sobrecarga física e emocional, especialmente quando a família convive com situações que exigem atenção permanente.

Durante o programa Sem Segredo, da Rádio Uirapuru, o debate reuniu relatos e reflexões sobre maternidade, ausência paterna, rede de apoio, saúde mental e os desafios das mães atípicas. Participaram da conversa a mãe atípica Salua Younes, a advogada especialista em Direito das Famílias e Sucessões Analuísa de Freitas e a psicóloga Daniela Salgado.

Salua relatou a experiência de descobrir o diagnóstico de autismo do filho ainda no primeiro ano de vida, há quase três décadas, em um período em que havia pouca informação e poucos profissionais especializados no tema. Segundo ela, o processo exige que a família reconstrua expectativas e aprenda a lidar com uma realidade diferente daquela imaginada durante a gestação. Ela destacou que o mais importante é iniciar o acompanhamento o quanto antes, independentemente do laudo definitivo.

A mãe atípica também falou sobre a sobrecarga enfrentada por mulheres que criam os filhos sozinhas. Salua contou que é mãe solo desde que o filho tinha um ano e afirmou que muitas mães precisam exercer simultaneamente o papel de impor limites, acolher emocionalmente os filhos e buscar tratamentos e terapias. Ela ressaltou ainda que, muitas vezes, essas mulheres acabam esquecendo de cuidar da própria saúde física e emocional diante da dedicação integral à família.

A psicóloga Daniela Salgado destacou que a maternidade costuma ser romantizada, enquanto os aspectos mais difíceis do cuidado diário acabam sendo pouco discutidos. Segundo ela, a chegada de um filho provoca mudanças profundas na rotina da mulher, envolvendo desgaste físico, alterações emocionais, privação de sono e sobrecarga mental, principalmente nos primeiros anos da criança.

Daniela também ressaltou a importância da presença paterna no desenvolvimento emocional dos filhos. Conforme explicou, crianças aprendem muito mais pelo exemplo do que pelos discursos dos pais. Para ela, a figura masculina exerce papel importante tanto na construção das referências emocionais dos meninos quanto das meninas, além de ajudar a dividir responsabilidades e reduzir o peso concentrado sobre a mãe.

A advogada Analuísa de Freitas explicou que existem legislações específicas voltadas à proteção das mães e das pessoas com deficiência, incluindo direitos garantidos às famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista. Entre os exemplos citados, ela destacou a possibilidade de redução da carga horária para mães atípicas no serviço público, permitindo acompanhamento mais próximo dos tratamentos e cuidados necessários.

Analuísa também chamou atenção para os conflitos enfrentados por mães solo e mulheres em processo de separação. Segundo ela, muitas acabam recorrendo à Justiça para garantir pensão alimentícia, guarda compartilhada e participação efetiva do pai na criação dos filhos. A advogada ainda alertou sobre o receio de muitas mães em desabafar diante dos filhos por medo de acusações relacionadas à alienação parental.

Entre os relatos dos ouvintes, um dos depoimentos mais marcantes foi o da ouvinte Sônia, que contou ter ficado viúva com três filhos e precisando enfrentar sozinha a criação da família, incluindo um bebê prematuro que hoje tem 21 anos e possui necessidades especiais. A participação emocionou a equipe do programa ao retratar a rotina de muitas mulheres que assumem integralmente o cuidado da casa e dos filhos.

Outro relato destacado foi o da ouvinte Amélia, moradora do bairro São Cristóvão, que falou sobre a dor de ter perdido um filho de 36 anos neste ano. Durante o programa, ela afirmou encontrar conforto acompanhando diariamente a programação da Rádio Uirapuru. O depoimento gerou manifestações de acolhimento das convidadas e reflexões sobre o impacto emocional da perda de um filho.