Sindicato critica reestruturação dos Correios e alerta para risco de desassistência em municípios
Os Correios estão promovendo uma ampla reestruturação de sua rede de atendimento em todo o país como forma de reduzir despesas e enfrentar os prejuízos financeiros acumulados nos últimos anos. Até o momento, a estatal já fechou 127 agências em 2026 e trabalha com a meta de reestruturar ou desativar até mil unidades em âmbito nacional. A estratégia inclui a concentração de serviços em menos pontos de atendimento e a ampliação de parcerias com estabelecimentos comerciais para funcionarem como locais de coleta e atendimento à população.
A reorganização ganhou força após a adesão considerada abaixo do esperado a programas de desligamento voluntário. Com isso, a redução da estrutura física passou a ser uma das principais medidas adotadas pela empresa para conter custos operacionais. A proposta prevê que parte dos serviços atualmente prestados em agências próprias seja absorvida por comércios credenciados, como papelarias, mercados e outros estabelecimentos locais.
No Rio Grande do Sul, os efeitos dessa política já começaram a ser sentidos. Entre o final de maio e o início de junho, 11 agências tiveram as atividades encerradas. Foram quatro unidades em Porto Alegre, duas em Caxias do Sul e uma em cada um dos municípios de Gramado, Rio Grande, Triunfo, São Leopoldo e Derrubadas.
A medida preocupa representantes dos trabalhadores. Em entrevista à Rádio Uirapuru, o diretor do Sindicato dos Correios do Rio Grande do Sul e da Federação Nacional dos Correios, Evandro Leonir da Silva, afirmou que o fechamento das unidades representa um equívoco, principalmente porque os Correios deixaram de atuar exclusivamente na entrega de correspondências e encomendas.
Segundo ele, a empresa passou a desempenhar funções ligadas a diversos serviços públicos, como atendimentos relacionados ao INSS, regularização de documentos e encaminhamento de demandas vinculadas a órgãos federais. Em muitos municípios, ressaltou, a agência dos Correios é a única representação física da União disponível para a população.
O dirigente também chama atenção para a redução do quadro de funcionários registrada nos últimos anos. Conforme informou, os Correios possuíam cerca de 127 mil trabalhadores em todo o país entre 2013 e 2014. Atualmente, o número estaria próximo de 80 mil. No Rio Grande do Sul, o efetivo teria passado de quase 9 mil para aproximadamente 5.100 trabalhadores.
Para Evandro, a combinação entre redução de pessoal e fechamento de unidades provoca sobrecarga nas agências que permanecem em funcionamento. Ele afirma que a demanda dos locais fechados é transferida para outras estruturas que já operam com equipes reduzidas. Como exemplo, citou o fechamento da agência do bairro Petrópolis, em Passo Fundo, cuja demanda passou a ser absorvida por outra unidade da cidade.
Segundo o representante sindical, os impactos também atingem os trabalhadores. Transferências para municípios vizinhos, aumento da carga de trabalho e pressão no atendimento estariam contribuindo para o crescimento de casos de adoecimento e afastamentos relacionados à saúde mental.
Outro ponto destacado é o prejuízo para moradores de cidades que perderam suas agências. Conforme relatou, quando uma entrega não é concluída ou há necessidade de atendimento presencial, muitos usuários passam a depender de deslocamentos para municípios vizinhos, aumentando o tempo e o custo para acessar os serviços.
Evandro também questiona os critérios utilizados pela direção da empresa para promover os fechamentos. De acordo com ele, algumas unidades atingidas não apresentavam prejuízo financeiro e conseguiam manter suas operações. Na avaliação do dirigente, a discussão não deve considerar apenas o resultado econômico, mas também a função social exercida pelos Correios em comunidades menores e localidades mais distantes dos grandes centros.
O sindicalista afirma ainda que sindicatos e federações não participaram da elaboração do plano de reestruturação. Segundo ele, as entidades foram informadas das decisões após a definição dos fechamentos, sem consulta prévia aos trabalhadores ou às comunidades afetadas.
Diante do cenário, o sindicato busca apoio de vereadores, prefeitos e parlamentares para ampliar o debate sobre os impactos da medida. A intenção é mobilizar lideranças políticas e a população em defesa da manutenção dos serviços e da presença dos Correios nos municípios.
