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Agricultura

Solo encharcado e risco de doenças desafiam produtores em Passo Fundo e região

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers
Reprodução internet

As chuvas intensas registradas nas últimas semanas em Passo Fundo e região já acendem um sinal de alerta para a agricultura. Somente ontem, 21,  estações meteorológicas do município registraram acumulados superior a 200 milímetros em diferentes localidades, cenário que preocupa os produtores, principalmente diante da previsão de continuidade do fenômeno El Niño, que deve manter o tempo instável nos próximos meses.

As principais culturas de inverno, como trigo, aveia e canola, já sentem os efeitos do excesso de umidade. Segundo o gerente regional da Emater/RS-Ascar, Oriberto Adami, o problema ocorre justamente em uma fase importante do desenvolvimento das lavouras.

Neste ano, a canola ampliou significativamente sua área de cultivo na região, ocupando cerca de 35 mil hectares, o equivalente a quase metade da área destinada ao trigo. De acordo com Adami, tanto o trigo quanto a canola ainda estão em desenvolvimento vegetativo, com algumas áreas iniciando a floração, período considerado sensível às condições climáticas.

O gerente explica que os primeiros episódios de chuva intensa, registrados há cerca de duas semanas, já provocaram erosão em áreas com pouca cobertura vegetal, além de dificuldades de germinação nas lavouras recém-implantadas. Após um período de tempo seco, as culturas começaram a apresentar recuperação, mas a volta das precipitações em grande volume voltou a preocupar os técnicos.

Além de prejudicar o desenvolvimento das plantas, o excesso de umidade cria um ambiente favorável ao surgimento de doenças fúngicas. Outro agravante é que os produtores enfrentam dificuldades para acessar as lavouras e realizar aplicações preventivas de fungicidas, aumentando o risco de perdas na produtividade e na qualidade dos grãos.

Apesar da preocupação, a Emater informa que ainda é cedo para estimar eventuais prejuízos na produção. Conforme Adami, as lavouras ainda estão no início do ciclo e somente a partir do período de floração e enchimento dos grãos, entre setembro e outubro, será possível avaliar com maior precisão os impactos sobre a produtividade.

Embora não exista forma de controlar os efeitos do clima, a Emater reforça que é possível reduzir parte dos danos por meio do manejo adequado do solo. Entre as principais recomendações estão a utilização de plantas de cobertura, o sistema de plantio direto, a descompactação do solo e, em algumas propriedades, a implantação de terraços para reduzir o escoamento superficial da água.

Segundo o gerente regional, manter o solo protegido é uma das estratégias mais eficientes para diminuir a erosão, preservar nutrientes e aumentar a infiltração da água da chuva. Ele ressalta que o planejamento deve ocorrer ao longo de todo o ano, alternando culturas comerciais com espécies destinadas à cobertura do solo.

Além dos prejuízos diretos às lavouras, a erosão também provoca o transporte de terra e fertilizantes para córregos e rios, contribuindo para o assoreamento dos cursos d’água e aumentando o risco de transbordamentos durante períodos de chuva intensa.

Com a previsão de continuidade do El Niño e novos episódios de precipitação acima da média, a expectativa é de que os produtores mantenham atenção redobrada às condições das lavouras nas próximas semanas. A Emater seguirá acompanhando o desenvolvimento das culturas para avaliar os reflexos do excesso de chuva ao longo da safra de inverno.