Temporal no RS deixa quatro desaparecidos e causa estragos em várias regiões do Estado
O temporal que atingiu o Rio Grande do Sul desde a noite de domingo (20) provocou alagamentos, destelhamentos, quedas de árvores e postes, bloqueios de rodovias e interrupções em serviços públicos nesta segunda-feira (21). A Serra Gaúcha é uma das regiões mais afetadas, com quatro pessoas desaparecidas e operações de busca em andamento.
A Defesa Civil estadual havia alertado para a possibilidade de tempestades, chuva intensa, granizo e rajadas de vento superiores a 100 km/h. Na Serra e em outras áreas do Estado, os volumes de chuva foram elevados em poucas horas.
Quatro pessoas estão desaparecidas na Serra Gaúcha
Em Caxias do Sul e região, quatro pessoas são procuradas após ocorrências provocadas pela força da chuva.
Três delas — uma mulher de 43 anos, uma menina de 13 anos e um menino de 4 anos — estavam em um carro que foi arrastado pela correnteza na localidade de Parada Cristal, entre Caxias do Sul e Flores da Cunha. O motorista do veículo teria sido resgatado.
A quarta pessoa desaparecida é um homem que, segundo o Corpo de Bombeiros, teria sido sugado por uma tubulação de escoamento pluvial em Caxias do Sul. As equipes de emergência realizam buscas pelas vítimas.
A chuva provocou grandes acumulados na região. Caxias do Sul registrou 145 milímetros, enquanto Flores da Cunha acumulou 118 mm. A Defesa Civil mantém atenção para a possibilidade de alagamentos, enxurradas e elevação dos níveis dos rios.
Rodovias são bloqueadas na Serra
O temporal também provocou problemas no trânsito. Na ERS-448, em Nova Roma do Sul, o tráfego de veículos foi interrompido devido às condições da estrada. A força da água também aumentou o volume da cascata Véu de Noiva.
A balsa que realiza a travessia entre Nova Pádua e Nova Roma do Sul, pelo Rio das Antas, teve a operação suspensa.
Outro bloqueio ocorreu na BR-470, na Serra das Antas, entre os quilômetros 185 e 202, no trecho entre Bento Gonçalves e Veranópolis. A liberação da rodovia depende das condições meteorológicas e da avaliação das equipes responsáveis pela segurança da via.
Bento Gonçalves registra alagamentos e suspensão de aulas
Em Bento Gonçalves, o excesso de água provocou transtornos em diferentes pontos da cidade.
As aulas foram suspensas na Escola Municipal Lóris Pasquali Reali, devido à dificuldade de acesso ao Vale dos Vinhedos. A Escola General Randon, no bairro Barracão, também teve as atividades afetadas.
No mesmo bairro, bombeiros retiraram quatro pessoas de uma residência atingida pela água. O posto de saúde local também foi afetado pelos alagamentos e suspendeu os atendimentos.
Temporal provoca estragos em Nova Santa Rita
Em Nova Santa Rita, na Região Metropolitana de Porto Alegre, o vendaval deixou cerca de 400 casas destelhadas e três residências completamente destruídas, segundo levantamento divulgado pela Defesa Civil. Os ventos chegaram próximos dos 100 km/h.
Um centro de distribuição localizado próximo à BR-386 também foi atingido. Estruturas metálicas desabaram, vidros foram quebrados e pelo menos três caminhões tombaram.
Um casal de caminhoneiros que havia chegado de São Paulo estava dentro de uma das carretas quando a ventania começou. As informações disponíveis não indicam ferimentos no casal.
A cidade ainda contabilizou aproximadamente 40 árvores de grande porte derrubadas e 15 vias obstruídas. Seis escolas foram afetadas e tiveram as aulas suspensas.
Pelotas registra desabamento e pessoa ferida
Em Pelotas, no Sul do Estado, um prédio desabou durante a madrugada desta segunda-feira. O imóvel, localizado na Rua Marcílio Dias, na região central, estava desocupado e não houve registro de feridos no desabamento.
Em outra ocorrência, uma pessoa ficou gravemente ferida após cair de um telhado. Segundo o Samu, a vítima teria subido na estrutura para verificar as condições das telhas durante o temporal.
A ventania também derrubou parte da fachada do estádio Boca do Lobo. A cidade registrou rajadas de aproximadamente 89 km/h durante a madrugada.
Também houve bloqueio na BR-116 após postes de energia caírem sobre a pista.
Capão da Canoa e Litoral Norte também sofrem com o temporal
O Litoral Norte foi atingido por chuva forte e ventos intensos.
Em Capão da Canoa, parte do telhado da estação rodoviária foi danificada. Uma estrutura chegou a cair sobre um ônibus, mas não havia passageiros ou outras pessoas dentro do veículo no momento, e ninguém ficou ferido.
A recepção da rodoviária precisou ser fechada devido à falta de energia e aos alagamentos. Apesar dos transtornos, a operação das viagens continuou de forma adaptada.
A queda de postes também provocou falta de energia em diferentes pontos da cidade.
Em Xangri-lá, foram registrados destelhamentos em imóveis e em um posto de combustíveis.
Já em Balneário Quintão, distrito de Palmares do Sul, o temporal provocou queda de postes, árvores e muros, além de danos em telhados e interrupção no fornecimento de energia.
Outras cidades registram danos
Em Igrejinha, rajadas superiores a 75 km/h provocaram danos em diferentes bairros. Cerca de 100 residências foram destelhadas, além de ocorrências envolvendo árvores e postes derrubados.
Em Eldorado do Sul, aproximadamente 10 casas foram destelhadas. Estruturas também desabaram no bairro Centro-Novo. Na Rua Parobé, uma garagem teve a cobertura destruída e parte de um muro de concreto caiu.
Em Novo Hamburgo, houve registros de destelhamentos nos bairros Lomba Grande, Santo Afonso, Rondônia e Liberdade, além de quedas de árvores.
Chuva chega a 145 milímetros em Caxias do Sul
Entre os maiores volumes de chuva registrados estão:
- Caxias do Sul: 145 mm
- Santa Tereza: 136,4 mm
- Muçum: 123 mm
- Flores da Cunha: 118 mm
- Jaquirana: 116,2 mm
A Defesa Civil havia previsto acumulados superiores a 120 mm em 12 horas em áreas do Centro, Norte, Vales e Serra. Para alguns pontos da metade Norte, os acumulados poderiam superar 150 mm. Defesa Civil do Rio Grande do Sul
Ventos passam de 100 km/h
As rajadas de vento também provocaram danos em diversas regiões do Rio Grande do Sul.
Entre os maiores registros informados estão:
- São Jerônimo: 115,8 km/h
- Rio Grande: 113,7 km/h
- Cerrito: 104,1 km/h
Ao menos 20 municípios registraram rajadas superiores a 80 km/h.
Mais de 650 mil pontos ficam sem energia
O temporal também afetou o fornecimento de energia elétrica no Estado.
Conforme os dados informados pelas concessionárias, mais de 650 mil pontos chegaram a ficar sem luz. O número chegou próximo de 1 milhão durante o período mais crítico da tempestade.
Os fortes ventos derrubaram árvores, postes e estruturas em diferentes municípios, dificultando o trabalho das equipes de manutenção.
Defesa Civil emite alerta vermelho
Durante a madrugada, a Defesa Civil do Rio Grande do Sul emitiu alerta vermelho por meio do sistema Cell Broadcast para moradores de Porto Alegre, Região Metropolitana e Serra Gaúcha.
O aviso indicava possibilidade de tempestades acompanhadas de rajadas de vento superiores a 90 km/h.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também colocou o Rio Grande do Sul sob alerta de grande perigo para condições meteorológicas severas. A previsão incluía chuva intensa e ventos que poderiam ultrapassar 100 km/h.
A Defesa Civil mantém atenção para a elevação de rios e arroios. Na atualização divulgada nesta segunda-feira, o órgão apontou risco de inundação em trechos dos rios Jacuí, Taquari, Caí, Paranhana e Sinos. Defesa Civil do Rio Grande do Sul
Frente fria deve provocar queda nas temperaturas
A instabilidade é associada à atuação de um sistema de baixa pressão e ao avanço de uma frente fria sobre o Estado. Segundo a previsão meteorológica divulgada para o período, a segunda-feira concentra o maior risco de temporais, com possibilidade de chuva volumosa, granizo e ventos fortes.
Entre terça e quarta-feira, a tendência é de afastamento da frente fria e avanço de uma massa de ar polar. Com isso, as temperaturas devem cair de forma acentuada, principalmente durante as madrugadas e manhãs.
As áreas mais frias da Campanha e da Serra Gaúcha podem registrar temperaturas próximas de 2°C.
A Defesa Civil orienta a população a evitar áreas alagadas, não atravessar locais com correnteza e manter distância de estruturas que apresentem sinais de risco. O órgão também reforça a necessidade de atenção para a elevação de rios, arroios e córregos após os elevados volumes de chuva registrados no Estado.
