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Internacional

Trump diz acompanhar de perto eleições no Brasil e chama pleito de “muito importante”

Públicado em Por RD Uirapuru / Gabriel Nunes
Evan Vucci/Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (1º) que está acompanhando de perto as eleições presidenciais brasileiras. Em declaração a jornalistas na Casa Branca, o republicano destacou a importância do Brasil e do processo eleitoral, mas não citou nomes de candidatos nem anunciou apoio a nenhuma candidatura.

“Estou acompanhando muito de perto as eleições brasileiras. O Brasil é um país muito importante. É um ótimo país. As pessoas do Brasil são fantásticas. É uma eleição muito importante”, afirmou Trump.

A declaração ocorre três dias antes do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para domingo (4). A fala do presidente norte-americano acontece em meio ao aumento das atenções sobre a relação entre Washington e Brasília e às discussões sobre uma possível interferência externa no processo eleitoral brasileiro.

Trump já apoiou candidato em eleição na América Latina

A postura adotada por Trump no caso brasileiro é diferente da observada em outros processos eleitorais recentes na América Latina. Na eleição presidencial da Colômbia, o presidente norte-americano declarou publicamente apoio a Abelardo de la Espriella, que venceu a disputa e assumiu a Presidência colombiana.

No caso do Brasil, entretanto, Trump não indicou publicamente preferência por nenhum dos candidatos durante a declaração desta quinta-feira.

Senadores dos EUA cobram compromisso com resultado da eleição brasileira

A manifestação de Trump ocorre poucos dias depois de três senadores democratas dos Estados Unidos enviarem uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, pedindo que o governo norte-americano se comprometa a reconhecer o resultado certificado das eleições brasileiras.

O documento foi assinado pelos senadores Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch. Eles afirmaram estar preocupados com medidas adotadas pela administração Trump em relação ao Brasil e questionaram se Washington manterá relações diplomáticas normais com o candidato que for escolhido pelos eleitores brasileiros.

Na avaliação dos parlamentares, algumas ações recentes do governo dos EUA poderiam representar pressão diplomática, econômica e política sobre instituições brasileiras. Entre os episódios mencionados estão tarifas aplicadas a produtos brasileiros, sanções e a nomeação de Darren Beattie para atuar em assuntos relacionados ao Brasil no Departamento de Estado.

As acusações fazem parte da avaliação dos senadores e não equivalem, por si só, a uma confirmação independente de que o governo norte-americano tenha interferido na eleição.

Congressistas já haviam feito críticas ao governo Trump

A carta de 29 de setembro foi precedida por outra manifestação de parlamentares democratas. Em 24 de setembro, 31 congressistas dos Estados Unidos enviaram um documento a Marco Rubio no qual questionaram medidas adotadas pelo governo Trump em relação ao Brasil.

Os parlamentares relacionaram tarifas, sanções e a atuação de Darren Beattie a uma suposta tentativa de pressionar instituições brasileiras antes das eleições. O grupo também citou a aproximação entre Trump e o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência.

Até então, integrantes do governo norte-americano haviam negado que Washington estivesse tentando interferir no processo eleitoral brasileiro. O Departamento de Estado também havia declarado, em agosto, que respeitaria o governo escolhido nas urnas brasileiras.

Abin relatou suposta interferência dos EUA e da Rússia

Outro episódio que aumentou a preocupação internacional ocorreu em setembro. Segundo reportagem da Reuters, representantes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) informaram autoridades europeias sobre alegações de interferência estrangeira nas eleições brasileiras.

De acordo com a agência, delegações da Alemanha e da França estiveram em Brasília e receberam informações de autoridades brasileiras de inteligência. Um relatório europeu citado pela Reuters registra que a Abin teria apontado ações atribuídas tanto aos Estados Unidos quanto à Rússia.

No caso norte-americano, o documento mencionado pela Reuters descreve uma suposta interferência que teria incluído medidas judiciais e ações consideradas abertamente reconhecidas. O relatório, porém, não apresentou detalhes sobre a alegada participação russa.

As informações divulgadas pela Reuters são baseadas em fontes e documentos aos quais a agência teve acesso. As alegações de interferência não devem ser tratadas como comprovação definitiva sem evidências adicionais ou confirmação independente.

Eleições brasileiras acontecem neste domingo

O primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras está marcado para 4 de outubro de 2026. A declaração de Trump sobre o pleito ocorre em um momento de forte atenção internacional sobre a disputa e sobre os impactos que o resultado poderá ter nas relações entre Brasil e Estados Unidos.

Enquanto parlamentares norte-americanos cobram do governo Trump o compromisso de respeitar o resultado das urnas, o presidente dos EUA limitou-se, nesta quinta-feira, a destacar a importância do Brasil e da eleição, sem declarar apoio público a nenhum candidato.