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Internacional

TVs dos EUA suspendem cobertura conjunta da Casa Branca após Trump banir CNN

Públicado em Por RD Uirapuru / Gabriel Nunes

As cinco principais redes de televisão que integram o sistema de cobertura conjunta da Casa Branca nos Estados Unidos decidiram suspender o chamado “pool” de imprensa para eventos do presidente Donald Trump. A decisão ocorre após o governo norte-americano impedir que jornalistas da CNN, da MS NOW e do site Politico tenham acesso à sede do governo.

A medida foi anunciada nesta segunda-feira (21) por ABC, CBS, CNN, Fox News e NBC, que se revezam na produção de imagens de eventos presidenciais e compartilham o material com outras emissoras e veículos de comunicação.

A decisão significa que, quando uma das emissoras estiver escalada para realizar a cobertura conjunta e não puder fazê-la, não haverá uma equipe substituta enviada para acompanhar os eventos de Trump.

O que é o pool de imprensa da Casa Branca?

O sistema funciona por meio de um rodízio entre as principais redes de televisão dos Estados Unidos. A emissora responsável em determinado dia produz imagens de eventos presidenciais e distribui o conteúdo para as demais integrantes do grupo e para outras empresas de comunicação.

O modelo permite que diferentes veículos tenham acesso às imagens de pronunciamentos, reuniões e outros compromissos do presidente, mesmo quando não enviam uma equipe própria para cada evento.

Nesta segunda-feira, a CNN estava escalada para realizar a cobertura do pool. Com a restrição imposta pela Casa Branca, a emissora foi impedida de cumprir a função e as demais redes decidiram não substituí-la.

Em comunicado aos integrantes do grupo, Bryan Boughton, chefe da sucursal da Fox News em Washington e responsável pela coordenação do pool, informou que não haveria uma equipe substituta para a cobertura.

As cinco emissoras também divulgaram uma declaração conjunta afirmando que o público tem interesse em receber informações independentes e precisas sobre o governo e que uma administração não deveria restringir uma organização jornalística por discordar de suas reportagens.

Trump proibiu CNN, MS NOW e Politico na Casa Branca

A crise começou na sexta-feira (18), quando Donald Trump anunciou que CNN, MS NOW e Politico seriam impedidos de acessar a Casa Branca.

O presidente justificou a decisão com críticas à cobertura realizada pelos veículos e acusações de publicação de informações que classificou como “fake news”. As organizações de imprensa contestaram a medida.

No sábado (19), jornalistas dos três veículos tiveram os acessos à Casa Branca impedidos e seus crachás foram recolhidos, segundo os próprios veículos e relatos publicados pela imprensa americana.

A restrição atingiu diretamente a CNN, que estava escalada para realizar a cobertura do pool de televisão nesta segunda-feira.

CNN, MS NOW e Politico entram na Justiça

Também nesta segunda-feira, CNN, MS NOW e Politico ingressaram com uma ação na Justiça federal dos Estados Unidos contra Donald Trump e integrantes de sua administração.

Os veículos pedem a restituição do acesso de seus jornalistas à Casa Branca e alegam que a decisão viola direitos previstos na Primeira Emenda da Constituição americana.

As empresas também argumentam que tiveram suas credenciais retiradas sem um procedimento que permitisse contestar a decisão.

O processo foi apresentado em um tribunal federal em Washington, D.C., e inclui um pedido para que o acesso seja restabelecido enquanto a disputa judicial é analisada.

Trump afirma que medida é contra “fake news”

Após a reação dos veículos, Trump afirmou que a Casa Branca não estaria atacando a imprensa livre, mas tentando combater o que considera notícias falsas.

Em publicação na rede Truth Social, o presidente voltou a acusar veículos de comunicação de divulgar informações que, segundo ele, representam uma ameaça aos Estados Unidos. Essas acusações foram feitas sem que Trump apresentasse, na publicação, provas específicas que sustentassem as alegações.

A Casa Branca também defendeu a decisão de restringir o acesso dos veículos atingidos.

Cobertura da agenda de Trump pode ser afetada

A suspensão do pool ocorre em um momento de intensa agenda internacional do presidente americano, incluindo compromissos relacionados à Assembleia Geral das Nações Unidas.

A decisão das redes significa que determinados eventos presidenciais podem ficar sem a tradicional produção de imagens compartilhadas entre as emissoras. A viagem de Trump a Nova York para compromissos ligados à ONU está entre as agendas afetadas pela mudança.

O impacto é especialmente relevante para emissoras locais e veículos que dependem das imagens produzidas pelo pool para acompanhar a agenda presidencial.

Fox News também participa da suspensão

A decisão reúne emissoras com diferentes linhas editoriais e inclui a Fox News, frequentemente associada a uma audiência conservadora nos Estados Unidos.

Mesmo com as diferenças editoriais entre as redes, ABC, CBS, CNN, Fox News e NBC concordaram em interromper a cobertura conjunta dos eventos presidenciais que dependem do sistema de pool.

O episódio amplia o conflito entre o governo Trump e organizações de imprensa americanas e agora também envolve uma disputa judicial sobre o acesso de jornalistas à Casa Branca.

Entenda o caso

  • 18 de setembro: Donald Trump anuncia o bloqueio de CNN, MS NOW e Politico na Casa Branca.
  • 19 de setembro: jornalistas dos três veículos são impedidos de entrar no complexo presidencial e têm credenciais recolhidas.
  • 21 de setembro: CNN, MS NOW e Politico ingressam com ação judicial contra o governo.
  • 21 de setembro: ABC, CBS, CNN, Fox News e NBC anunciam a suspensão da cobertura conjunta de eventos presidenciais.
  • Próximos dias: a disputa pode afetar a cobertura televisiva da agenda de Trump, incluindo compromissos relacionados à Assembleia Geral da ONU.