Uirapuru Ecologia: eventos climáticos extremos reforçam necessidade de cidades mais preparadas, avaliam pesquisadoras da Atitus
A ocorrência cada vez mais frequente de temporais, enchentes e outros eventos extremos reforça a necessidade de repensar a forma como as cidades são planejadas e estruturadas. O tema foi discutido no programa Uirapuru Ecologia, com a participação das professoras Francieli Tiecher e Grace Tibério Cardoso, da Escola Politécnica da Atitus, que atuam no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo e desenvolvem pesquisas relacionadas às cidades inteligentes, sustentáveis e resilientes. A atuação das duas docentes nessas áreas também é confirmada pela Atitus.
Segundo Grace Cardoso, os fenômenos climáticos extremos sempre fizeram parte da dinâmica natural, mas o desafio atual está na maior recorrência de situações como chuvas intensas, secas prolongadas e outros eventos severos. Para ela, as cidades precisam deixar de trabalhar apenas na resposta emergencial aos desastres e avançar no planejamento de longo prazo, considerando tanto as estruturas existentes quanto o crescimento dos municípios.
A pesquisadora destacou ainda que muitas prefeituras possuem equipes técnicas capazes de identificar problemas e propor soluções, mas enfrentam dificuldades para obter recursos financeiros. Nesse cenário, a pesquisa acadêmica pode contribuir com dados, diagnósticos e mapeamentos que auxiliem o poder público na tomada de decisões e na busca por investimentos.
A pesquisadora Francieli Tiecher também chamou atenção para a participação do setor privado e da indústria na construção de cidades mais sustentáveis. Segundo ela, resíduos gerados pelas empresas podem, em determinadas situações, ser aproveitados na produção de novos materiais de construção, reduzindo impactos ambientais e custos relacionados ao descarte.Ao tratar das características de cada município, Grace explicou que não existe uma solução única para todos os territórios. Em Passo Fundo, por exemplo, uma das preocupações está relacionada à vulnerabilidade de áreas próximas aos rios.
Já em outros municípios, podem existir riscos maiores relacionados a encostas ou outras características geográficas. Por isso, o primeiro passo é conhecer o território, identificar os riscos e preservar ou recuperar áreas naturais. Entre as alternativas apontadas está o conceito de cidades-esponja, com maior utilização de infraestrutura verde, como parques e áreas capazes de absorver e reter parte da água da chuva. A proposta, segundo as pesquisadoras, não substitui a infraestrutura tradicional de drenagem, mas trabalha de forma integrada com ela.
Na construção civil, Francieli defendeu ainda maior atenção à durabilidade das edificações. Projetos bem elaborados, materiais adequados e manutenção periódica podem prolongar a vida útil das estruturas, reduzir a necessidade de demolições e diminuir impactos ambientais. A avaliação das pesquisadoras é que preparar as cidades para eventos extremos exige uma atuação conjunta entre poder público, universidades, setor privado e população.
