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Geral

Uirapuru Ecologia: mais de 23 toneladas de tampinhas ajudam no atendimento de crianças com câncer no RS 

| RD Uirapuru / Suélen Kommers

A coleta de tampinhas plásticas tem unido conscientização ambiental e apoio ao tratamento de crianças com câncer em Passo Fundo. O tema foi debatido no programa Uirapuru Ecologia, que destacou a campanha promovida pela embaixada do Instituto Pietro em parceria com o Centro de Câncer Infantojuvenil do Hospital São Vicente de Paulo e o Instituto do Câncer Infantil, de Porto Alegre. A iniciativa transforma resíduos plásticos em recursos destinados ao atendimento de pacientes, além de incentivar a reciclagem e a participação da comunidade em ações ambientais e solidárias. 

O jornalista e embaixador contra o câncer infantil Saul Spinelle afirmou que a campanha tem fortalecido uma rede de solidariedade envolvendo empresas, entidades, voluntários e a comunidade regional. Segundo ele, o Centro Oncológico Infantojuvenil do Hospital São Vicente é referência para 226 municípios e já atendeu cerca de 600 pacientes ao longo dos últimos dez anos. Spinelle ressaltou que os recursos obtidos com a venda das tampinhas ajudam no custeio de exames não cobertos pelo SUS e em ações de acolhimento às crianças internadas.

Saul também destacou que a iniciativa produz impacto ambiental positivo ao retirar resíduos plásticos do meio ambiente. Conforme ele, as tampinhas podem levar centenas de anos para se decompor, tornando a reciclagem uma ferramenta importante tanto para a preservação ambiental quanto para a geração de recursos destinados ao tratamento infantil. O jornalista acrescentou que a campanha vem ampliando pontos de coleta em diferentes locais da cidade e recebendo apoio de cooperativas de reciclagem e empresas parceiras.

A presidente da cooperativa Cootraempo e integrante do Conselho Municipal do Meio Ambiente, Elis Sampaio, explicou que o trabalho das cooperativas inclui a separação das tampinhas durante o processo de triagem dos recicláveis recolhidos em Passo Fundo. Segundo ela, mesmo sendo um material que poderia gerar renda direta aos recicladores, a cooperativa opta por destinar parte das tampinhas para a campanha em apoio às crianças em tratamento oncológico.

Elis afirmou ainda que as cooperativas atendem aproximadamente 115 famílias ligadas à reciclagem no município e reforçou a importância da participação comunitária na separação correta dos resíduos. Para ela, campanhas ambientais associadas a causas sociais ajudam a conscientizar a população sobre sustentabilidade, além de fortalecer ações coletivas que beneficiam tanto o meio ambiente quanto famílias atendidas pelas instituições de saúde.

O médico oncologista pediátrico Algemir Brunetto, fundador e superintendente do Instituto do Câncer Infantil, de Porto Alegre, destacou que a campanha representa um exemplo de iniciativa socioambiental que transforma resíduos plásticos em recursos para assistência às crianças e adolescentes com câncer. Segundo ele, somente em 2025, o instituto arrecadou mais de 23 toneladas de tampinhas, resultando em mais de R$ 65 mil destinados ao atendimento de pacientes e famílias.

Brunetto também ressaltou a participação da comunidade de Passo Fundo na mobilização, afirmando que a cidade vem se tornando referência regional na arrecadação das tampinhas. Conforme o médico, ações como essa ajudam a fortalecer o tratamento oferecido às crianças e ampliam o engajamento social em torno da causa do câncer infantil e da preservação ambiental.