Uma amizade que foi além da vida: história de Paulo Rocha e Arno Nunes emociona o Rio Grande do Sul
A história de amizade entre Paulo Rocha e Arno Nunes dos Santos tem emocionado pessoas de diferentes cidades do Rio Grande do Sul pela força do companheirismo construído ao longo de mais de 50 anos.
Conhecidos no meio tradicionalista pelas lidas campeiras e pelas gineteadas, Paulo Rocha e Arno eram mais do que amigos: construíram uma verdadeira irmandade ao longo da vida.
Paulo Rocha era narrador, tropilheiro e promotor de rodeios, conhecido em diversas regiões do Estado pela dedicação à cultura gaúcha e às tradições campeiras. Também teve atuação política no município de Gentil, onde exerceu cargos como vice-prefeito, vereador e secretário municipal da Saúde.
Na lida campeira, sempre esteve Arno Nunes dos Santos, seu palanqueiro, ginete e parceiro de uma vida inteira. Juntos, compartilharam estradas, rodeios, histórias e momentos que marcaram gerações no tradicionalismo gaúcho.
Durante um ano e três meses de doença, quando Paulo Rocha foi perdendo suas forças, Arno permaneceu presente semanalmente, sem abandonar o amigo em nenhum momento. Mesmo diante da fragilidade crescente, seguia firme nas visitas, oferecendo companhia, carinho e lealdade.
No dia 17 de maio de 2026, Paulo Rocha faleceu em Passo Fundo.
Sua despedida foi marcada por uma emocionante homenagem tradicionalista. Durante o velório, familiares, amigos e integrantes do meio campeiro realizaram uma gineteada em homenagem a Paulo Rocha, simbolizando sua forte ligação com os rodeios, os cavalos e a cultura gaúcha que carregou por toda a vida.
No velório, Arno foi um dos primeiros a chegar. Muito emocionado com a partida do amigo de mais de cinco décadas, permaneceu ao lado dele pela última vez. Porém, após começar a se sentir mal, retornou para casa.
Ainda no dia 17 de maio, poucas horas depois da partida de Paulo Rocha, Arno também acabou falecendo.
Uma cena marcou profundamente familiares e amigos: ambos foram velados na mesma capela. Quando o velório de Paulo terminou, iniciou-se ali a despedida de Arno, como se os dois amigos ainda dividissem o mesmo caminho até o último momento.
Segundo familiares, os dois construíram uma amizade de irmãos, marcada pela lealdade, pelo companheirismo e pela presença constante um na vida do outro.
Para familiares, amigos e pessoas próximas, permanece a lembrança de uma amizade rara, construída na simplicidade da vida no campo, no respeito, no companheirismo e na parceria de duas pessoas que caminharam juntas até o fim.
“Com certeza, eles estão fazendo uma grande gineteada lá no céu.”
