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Eleições

Urna eletrônica completa 30 anos com segurança comprovada, afirmam especialistas

Públicado em Por RD Uirapuru / Zulmara Colussi

A urna eletrônica completa 30 anos em 2026 consolidada como um dos sistemas eleitorais mais seguros e rápidos do mundo. É o que afirmam especialistas que participaram dos Testes Públicos de Segurança (TPS) promovidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nos quais equipes de todo o país tentam, sem sucesso, violar o equipamento.

O programa Sem Segredo conversou com o professor Rafael Reis e o aluno Rafael Noel, ambos da Universidade Atitus, que integraram as equipes credenciadas pelo TSE nas últimas edições dos testes. A instituição participou de quatro edições – 2018, 2021, 2023 e 2025 – e, em todas elas, não conseguiu alterar os votos registrados na urna. “A urna eletrônica é segura. Ela é extremamente segura. Não existe essa possibilidade de você votar num candidato e computar para outro. É um sonho delirante de quem fala”, afirmou o professor Rafael Reis, enfatizando que o equipamento foi desenvolvido para ser inviolável.

Tentativas frustradas e ataques criativos

Em 2023, a equipe da Atitus tentou conectar a urna à internet utilizando dispositivos externos, mas esbarrou em uma barreira intransponível: o sistema operacional do equipamento foi desenvolvido especificamente para funcionar offline, sem os programas necessários para reconhecimento de qualquer periférico de rede. “A urna não possui os programas necessários para que você consiga transformá-la em online. Qualquer dispositivo que você conecte, se não tiver o programa lá dentro, ela não vai ser reconhecida”, explicou Reis.

O aluno Rafael Noel descreveu a experiência como “uma oportunidade única”. “A gente recebeu uma urna eletrônica para mexer, pude ter contato direto com o software e todos os sistemas que envolvem ela. É algo totalmente diferente, porque você está acostumado a querer fazer algo certinho quando está desenvolvendo, e lá é uma dinâmica diferente, onde tem que procurar problemas”, relatou.

Ataque criativo gerou melhoria no processo

Apesar de não terem conseguido alterar os votos, a equipe da Atitus obteve sucesso em uma abordagem criativa: o professor Marcos criou uma membrana de silicone que envolvia o teclado da urna, conseguindo identificar em qual candidato o eleitor havia votado – sem, contudo, alterar o resultado. O TSE reconheceu a vulnerabilidade e, em vez de substituir todos os teclados por questões de custo e prazo, adotou uma solução simples e eficaz: diminuiu o tamanho da cabine de votação, impossibilitando que eleitores utilizassem casacos ou objetos para instalar dispositivos sem serem notados pelos mesários.

“Isso inibe a pessoa a fazer porque diminuiu a cabine de votação. O próprio mesário vai identificar qualquer movimentação estranha”, explicou Reis.

Segurança em todas as etapas

O secretário de TI do Tribunal Regional Eleitoral, Daniel Wobeto, participou do programa e detalhou os rigorosos procedimentos de segurança que envolvem o processo eleitoral:

– Software desenvolvido e auditado pelo TSE: O código-fonte é aberto para fiscalização de partidos, Ministério Público e OAB.

– Urnas produzidas sob fiscalização intensa: Técnicos do TSE acompanham a fabricação.

– Assinatura digital: Cada urna recebe uma assinatura digital única, impossibilitando alterações no software.

– Boletim de urna impresso: Ao final da votação, é gerada uma cópia física do resultado, entregue a mesários e fiscais.

– Transmissão segura: Mesmo que o arquivo seja interceptado, qualquer alteração é imediatamente detectada pela assinatura digital.

“Se o arquivo for modificado depois que ele foi assinado, ele é rejeitado no TSE. Não tem como pegar aquele arquivo, passar em casa, trocar o resultado e mandar – ele é rejeitado”, garantiu Wobeto.

Transmissão de dados: mitos e verdades

Sobre a transmissão dos dados após o fim da votação, Wobeto foi categórico: “O processo de transmissão nasce antes dele nascer. Nós temos uma cópia impressa do boletim de urna que pode ser comparado com o dado que chega no TSE.” Ele explicou que mesmo que alguém consiga interceptar o pendrive com os dados, o arquivo é criptografado e só pode ser lido pelo sistema do TSE. “Se chegou lá e foi alterado qualquer vírgula, ele não é o mesmo arquivo, ele gera outra assinatura e é rejeitado”, complementou o professor Rafael Reis.

Por que outros países não adotam a urna eletrônica?

Vobeto explicou que os países se dividem em dois grupos: aqueles que não precisam do sistema por questões culturais e aqueles que não têm estrutura para implementá-lo. “Os Estados Unidos têm eleições organizadas por condados, não há uma organização nacional como o TSE. Eles contratam urnas de terceiros, não têm um processo de governança robusto de verificação de software e assinaturas digitais. Por isso apelam para o voto impresso”, afirmou.

Eleições rápidas e transparentes

Com a urna eletrônica, o Brasil passou de uma semana de apuração para resultados em poucas horas. O professor Reis relembrou a realidade anterior: “A gente ficava uma semana no CTG juntando planilhas para computar votos. Havia discussões sobre se o X estava dentro do quadradinho ou não. A urna acabou com todo esse problema.”

Eleições do futuro:

Os especialistas também abordaram as preocupações com novas tecnologias. Embora a urna seja offline e imune a ataques remotos, o TSE já estuda adaptações para lidar com inteligência artificial e criptografia quântica. “A criptografia tradicional que hoje tem na urna, um computador tradicional não vai quebrar – vai demorar milhares de anos. Mas com criptografia quântica, em segundos você conseguiria. O TSE precisa pensar nisso”, alertou Reis. O TSE já mantém parceria com a USP no projeto “Eleições do Futuro”, que estuda novas tecnologias aplicadas ao processo eleitoral, incluindo a possibilidade de votação via aplicativos.

Participação aberta e convite à pesquisa

Qualquer cidadão brasileiro maior de 18 anos pode se inscrever para participar dos Testes Públicos de Segurança. Basta formar uma equipe, enviar um plano de ataque e aguardar a aprovação do TSE.

Rafael Noel fez um convite: “Pesquisem, procurem mais sobre o assunto, vejam como realmente funciona para não cair em fake news. O mais importante é ouvir quem sabe, quem conhece tecnicamente o sistema. “

O professor Reis deixou uma mensagem final aos eleitores: “Vá votar com tranquilidade. Seu voto vai ser aquele que você escolheu. Não tem como alterar. A urna não altera voto de ninguém. Temos 30 anos de urna eletrônica. Se houvesse fraude, já teria sido descoberta. “