Vacina é direito da criança e dever da família
A decisão de vacinar ou não uma criança vai muito além da esfera individual. É um compromisso com a saúde de toda a comunidade. Esse foi o principal recado deixado por especialistas durante o Programa Sem Segredo, que ouviu a pediatra e coordenadora da UTI Neonatal do Hospital de Clínicas (HC), Giovana Belke, a coordenadora de Vigilância em Saúde, Marisa Zanatta, e a chefe do Núcleo de Vigilância Epidemiológica, Raquel Caneiro, sobre a atualização da caderneta de vacinação de crianças e adolescentes menores de 15 anos.
Vacina: direito da criança e dever da família
Em resposta à pergunta que abre o programa — se os pais têm o direito de recusar a vacinação dos filhos —, a pediatra Giovana Belke foi categórica: “O meu direito vai até onde começa o do outro. Sendo o filho outro ser humano, ele tem o direito de receber toda a imunização disponível para que não só ele seja protegido, mas a comunidade em torno dele.”
A médica lembrou que a circulação de doenças evitáveis, como o sarampo, voltou a preocupar com casos importados em São Paulo. “Uma exposição desnecessária”, avaliou, reforçando que o Dia D de vacinação é uma oportunidade “brilhante” para restaurar a caderneta de crianças com atraso vacinal.
Campanha aberta em todas as unidades
Marisa Zanatta informou que o município conta com 26 salas de vacinação, sendo que 25 ficaram abertas no sábado e permanecerão atendendo a população de segunda a sexta-feira. Raquel Caneiro celebrou o aumento dos índices de vacinação em Passo Fundo, mas alertou que ainda estão abaixo do ideal. “Temos indicadores de 70%, 80%, 85% para vacinas do calendário básico de crianças de um ano. Precisamos chegar a 90% ou mais.”
Novidades no calendário vacinal
A pediatra Giovana destacou três atualizações importantes no calendário infantil:
- Vacina pneumocócica 20-valente: incorporada em junho, protege contra pneumonias graves e meningites. “Antes era apenas particular. Agora está disponível na rede pública e é um grande avanço”, afirmou.
- Segundo reforço da poliomielite (aos 4 anos): anteriormente suspenso, foi retomado para garantir maior segurança imunológica.
- Anticorpo monoclonal (nirsevimab) contra o vírus sincicial respiratório (VSR): indicado para prematuros (menos de 37 semanas), reduz complicações da bronquiolite, que costuma levar crianças à UTI.
- Vacina contra a Covid-19: indicada para crianças abaixo de 5 anos. “É uma resistência frequente nos consultórios, mas a vacina é segura e necessária”, afirmou a médica.
Gripe, sarampo e a importância dos reforços
Sobre a vacina da gripe (influenza), Marisa esclareceu que ela deve ser tomada anualmente, pois as cepas mudam. Atualmente, está disponível para grupos prioritários: idosos, crianças de 6 meses a menores de 5 anos e gestantes. A cobertura está em 62%, bem abaixo da meta de 90%.
O sarampo também foi tema de alerta. Giovana lembrou que a doença pode evoluir para quadros graves, com pneumonia, internação em UTI e até morte. “É uma doença debilitante que havia desaparecido, mas voltou por conta da queda na vacinação. Não é uma decisão individual, é coletiva”, ressaltou. Raquel complementou: “Se um adulto não tem registro de vacina, deve procurar a unidade de saúde. Não pode ser considerado vacinado sem comprovação.”
As especialistas reforçaram que a vacinação não é um ato isolado, mas sim uma corrente de proteção. “Quando você decide não vacinar, está condenando todos ao seu redor a uma doença evitável”, concluiu a pediatra.
