Vereador Gio Krug é acusado de tentativa de homicídio após reagir a assalto em Passo Fundo; defesa afirma que policial agiu em legítima defesa
Um caso ocorrido em outubro de 2024 e que tramitava sob investigação veio à tona nesta semana envolvendo o vereador de Passo Fundo Gio Krug. O parlamentar é acusado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul pelo crime de tentativa de homicídio após um disparo de arma de fogo durante uma abordagem a dois suspeitos de um assalto nas proximidades da Rodoviária de Passo Fundo.
Conforme o boletim de ocorrência, o fato aconteceu na noite de 20 de outubro de 2024, na Rua Marcílio Dias, na Vila Popular. A ocorrência foi registrada como disparo de arma de fogo.
Segundo o relato policial, um homem que havia sido vítima de um assalto na Avenida Brasil procurou Gio Krug, que foi reconhecido como policial, pedindo ajuda após ter a carteira com documentos e o celular roubados por dois indivíduos.
Ainda conforme o registro, o vereador, que é policial militar realizou buscas e localizou dois homens com as características informadas pela vítima. Durante a abordagem, um dos suspeitos estaria armado com um simulacro de revólver, enquanto o outro portava uma faca. O boletim descreve que houve luta corporal entre Gio Krug e os suspeitos e, durante a confusão, ocorreu um disparo de arma de fogo que atingiu um dos homens. Após o tiro, ambos fugiram do local em direções diferentes. Um simulacro de arma de fogo foi apreendido e entregue à Polícia Civil.
O caso foi investigado e, posteriormente, resultou em denúncia por tentativa de homicídio. O processo ainda tramita na Justiça e não há condenação.
Defesa divulga nota
Em nota encaminhada ao repórter Bruno Reinehr, a defesa do vereador sustenta que o episódio ocorreu há mais de dois anos e questiona o momento em que o caso foi tornado público, ressaltando que o processo ainda está em fase inicial.
Confira a nota na íntegra:
A defesa técnica do vereador Gio Krug vem a público esclarecer alguns pontos essenciais sobre a matéria em questão.
Registra-se, em primeiro lugar, que os fatos investigados e processados ocorreram há mais de dois anos, sendo no mínimo estranha a sua publicização neste momento, na véspera de um pleito eleitoral.
Explica-se, ademais, que o processo está em uma fase inicial, não havendo qualquer conclusão de “culpa” em razão das condutas do vereador.
É importante registrar que Gio Krug, além de vereador, sempre foi e será representante das forças de segurança pública, pautando suas ações e princípios e valores muito bem definidos, quais sejam, a luta contra a criminalidade e a segurança da sociedade.
A ocorrência em questão, explica-se, é fato comum e corriqueiro na vida de agentes de segurança pública, que colocam sua vida em risco para garantir a segurança da população.
Foi nesse contexto que o vereador foi chamado por um cidadão passo-fundense que havia sido assaltado por dois criminosos, nas cercanias da rodoviária. De pronto, o policial-vereador atendeu o chamado e fez buscas pelos suspeitos. Nas proximidades do hospital da Cidade, os criminosos, com as características descritas pela vítima, foram avistados. Feita a abordagem, os criminosos, um com uma faca e outro com um simulacro de arma de fogo (apreendido e entregue à PC/RS), investiram contra Gio Krug, o qual reagiu proporcionalmente às agressões.
Ocorre que durante a luta corporal contra os dois criminosos, Gio Krug precisou defender seu armamento (do qual possui registro e porte) e, nesse ínterim, houve um disparo de arma de fogo que atingiu um dos criminosos, tendo os dois saído correndo.
Os fatos foram presenciados por, pelo menos, duas testemunhas, que confirmam a versão do vereador.
Assim, ficará demonstrado que Gio Krug não pretendeu matar ninguém, apesar de ter condições de fazê-lo, se essa fosse sua vontade. Na verdade, Gio Krug atendeu um chamado desesperado de um cidadão assaltado e defendeu-se de dois criminosos com vasta ficha criminal, que não aceitaram a abordagem e atentaram contra sua vida.
Por fim, o vereador reafirma seu compromisso com a segurança e com o bem-estar da população, sobretudo àquelas pessoas que se encontram à mercê da criminalidade.
A defesa técnica espera e confia que o processo será conduzido com imparcialidade e dentro da legalidade. E, ao final, restará demonstrado que o vereador agiu dentro dos limites da lei.
José Paulo Schneider
OAB/RS 102.244
Ricardo Almeida
OAB/RS 104.666
O processo segue em tramitação na Justiça, e caberá ao Poder Judiciário analisar as provas produzidas ao longo da instrução antes de decidir sobre eventual responsabilidade penal do vereador.
